terça-feira, fevereiro 17, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (11)


As palavras de Luís Alves, ilustradas pela fotografia de Clara Mestre:

O Encanto da Natureza

Ao olhar a natureza
Em contrastes tão diversos
Vemos magia e beleza
Que nos deixa boquiabertos

O verde é pano de fundo
Onde a vida passa lenta
É a riqueza do mundo
Onde a alma se alimenta

A mãe pata a navegar
Vai com calma mas segura
Parece estar a ensinar
Os filhotes com ternura

Neste rio de prazer
A cautela vai à frente
Dar meia volta, volver
Em frente, já há corrente

O pai pato, pachorrento
No seu posto a observar
Tem que estar muito atento
Não vá algum naufragar

E quando chega a noitinha
Com seu porte de soldado
Manda todos prá caminha
P’ra um sono descansado

Esta água que nos leva
Por entre pedras e prados
É a imagem que nos chega
E nos deixa extasiados.

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (10)


As palavras de Manuel Delgado ilustradas pela fotografia de Aníbal Sequeira:

O Moleiro

Roda roda meu moinho
Seja a água ou o vento
Vai trabalhando sozinho
Para tirar o meu sustento

A trabalhar lentamente
O moinho a moer
É para toda a gente
Ter o pão para comer

Para fazer o bom pão
Que o povo vai comer
Enquanto houver grão
O moinho a moer

Se moer grão a grão
O moleiro tem a certeza
Que só assim o bom pão
Chegará à nossa mesa

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (9)



As palavras de Maria Gertudes Novais ilustradas por uma fotografia de Luis Eme:

Jardim

No jardim da saudade,
Onde o tédio é companheiro
Existe amor e verdade
Em tarde de soalheiro.
No búlicio da cidade
Mesmo ali ao lado,
Há tanta desigualdade
Num sentimento fechado.
O verde da natureza
Atenua a solidão,
Mata um pouco a tristeza
Que há dentro do coração.
Se for diferente o teu olhar,
De força e de coragem,
Poderás ainda sonhar,
Nesta vida, de passagem.

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (8)


As palavras de Luís Milheiro, ilustradas pela fotografia de Clara Mestre:

A Mãe Natureza
               
Quando ouvi o chamamento
Da encantatória mãe natureza
Não resisti e fui atrás da sua beleza,
Quase levado pelo vento

Daí a nada
Apeteceu-me gritar de felicidade
Mas fiquei ali em silêncio
Numa manobra de bom senso
A ver os peixes nadarem em liberdade

Pouco depois
O silêncio foi quebrado
Por um bando de pardais chilreantes
Com almas livres e errantes
Que voavam por todo o lado

Fizeram-me perder a vontade de nadar.
Afinal o que eu queria mesmo era voar
No meio da natureza
Onde é tão fácil descobrir a beleza.

A exposição continua patente no "Espaço Doces da Mimi" e pode ser visitava até ao dia 27 de Fevereiro.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Madalena e José Saramago de Visita aos Doces da Mimi


Não éramos muitos (não chegámos às duas dezenas), mas éramos bons, daqueles que sabem escutar, questionar, e sobretudo partilhar.

Foi isso que aconteceu no sábado, com a visita da professora Madalena Mendes, que nos trouxe um livro, para ler em voz alta, o "Levantado do Chão" de José Saramago, uma das suas obras maiores, escrita em 1976, poucos meses do 25 de Novembro e da derrota da esquerda, quando ele desiludido decidiu partir para o Alentejo, para Monte Lavre, com o objectivo de dar voz a um povo há muito tempo silenciado.

E conseguiu-o, com um romance que atravessa várias gerações da família Mau Tempo, vítima de anos e anos de exploração do latifúndio, de mão dada com a igreja e a ordem de um estado, com letra pequenina.

Depois de uma primeira reflexão sobre este livro, entrámos dentro da obra de José Saramago e também da sua vida, inclusive amorosa. A sua descoberta do amor aos 63 anos não deixou ninguém indiferente, até por pessoas mais próximas dele, assistirem ao aparecimento de "um homem novo", que voltou a sorrir...

Foi tão bom contarmos com a Madalena, "leitora de voz alta", e também com todos aqueles que acrescentaram coisas boas à conversa (até poesia...), que esteve excelente, no sábado à tarde, no Espaço Doces da Mimi.

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

O Livro "Levantado do Chão" nos Doces da Mimi


No próximo sábado, 7 de Fevereiro, às 16 horas o "Espaço Doces da Mimi" (rua da Liberdade, nº 20 A) recebe a visita da professora Madalena Mendes, que nos trás a obra, "Levantado do Chão", de José Saramago,  para ser lido em voz alta. 

Se conhece esta obra, sobre os tempos difíceis vividos pelo povo Alentejano, até Abril de 1974, tem aqui uma boa oportunidade de reviver e falar sobre este livro, emblemático na obra do nosso "Prémio Nobel".

Se não conhece, tem também a oportunidade de ficar a conhecer um livro que nos fala sobre a injustiça e a exploração, de um povo que sempre se "levantou do chão"...

Apareçam, vão gostar.

terça-feira, fevereiro 03, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (7)


As palavras de Alberto Afonso para ilustrar a fotografia de Modesto Viegas:

Gota de vida

Olho a vida na distância
De um dia azul e milagroso
As cores são mil, e são esperança
Talvez de sol, mas invernoso.

Deixai que o momento seja
Ilha deserta ou silêncio,
Que enraizado se dilui
Na ilusão de alguém presente…

Desamarrado barco que me foge
Por indizível corrente traiçoeira
Que rouba de mim e de meus olhos
Esta gota de vida, ó feiticeira…


segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (6)


As Palavras de Luís Alves que ilustram uma fotografia de Luís Eme:

Cais de Lisboa

Colunas de séculos passados
Onde o tempo não perdoa
São dois mastros apontados
Ao céu da Nossa Lisboa

Foste cais da realeza
Admirado, ainda és
Até a coroa inglesa
Ancorou a vossos pés

Nesses tempos da lonjura
Caravelas a partir
Homens bravos à procura
Dum mundo por descobrir

Gaivotas em movimento
No cais de tanta saudade
São como notas ao vento
Chilreando Liberdad

A nossa ponte imponente
De Abril só há gemidos
Mas o Tejo comovente
Amena os cravos esquecidos

Onde estão os cacilheiros
Que a câmara não captou?
Mais os velhos marinheiros
Que o pai Tejo adoptou?

Estas águas que nos levam
E nos corta a respiração
É o rio onde navegam
As mágoas que vão pró mar.
  

sábado, janeiro 31, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (5)


As palavras da Minda, que ilustram a fotografia de Aníbal Sequeira:

Falésia Dourada
                    
Na FALÉSIA DOURADA as sombras se anunciam...

Escondem as palavras que me escapam
por entre as pedras esculpidas
nesse vagar do tempo perdido em equilíbrio precário.

Ao longe a esperança renasce por entre o nada
que se vislumbra numa miragem de enganos.

quinta-feira, janeiro 29, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (4)


O poema de Maria Amélia Cortes ilustrado pela fotografia de Gena Souza:

Mar

Almas das gentes
Mar
Revolto, tranquilo
Sinto-te
Mar que dás o pão
O luto
Mar profundo
Abismos sem fim
Mar
Que inspiras poetas
Asas, estranha sinfonia
Mar
Dos meus sonhos


quarta-feira, janeiro 28, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (3)


O poema de Erick (D'Souza) ilustrado pela fotografia de Luís Eme:

Hoje ódio
Desprezo amanhã

Os ponteiros
Continuam
Sua marcha
Inexorável

Imutáveis
Símbolos negros
Círculo branco
Tralos duvidosos
Mãos esquálidas
Três dedos
Regem nosso destino

terça-feira, janeiro 27, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (2)


O poema de Américo Morgado, que ilustra a fotografia de Modesto Viegas.

Distâncias

Ao longe as montanhas escurecem
o horizonte
Será um aviso, um sinal, um segredo
para pensar limites, medo
arranjar coragem, aventurar-me
ou para saber, que é aqui
junto a mim que estão as cores
na aparência de ser
e ter de me aproximar para conhecer?

Distâncias na distância de mim.

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Abraço Fotográfico e Poético (1)


Vamos publicar aqui, no nosso blogue, todas as fotografias e poemas que fazem parte da 1ª exposição de poesia ilustrada, "Abraço Fotográfico e Poético". Começamos com o poema de Abrantes Raposo, que ilustra a fotografia de Fernando Barão.
A Fome
Quem disse
E diz
Que não há fome
No meu país
Não mente
Nem mentiu
Porque não a sente
Nem sentiu

Mas quem a sente
Sabe que ele mente

Quem hoje a denúncia
Quando ontem se calava,
Por conveniência
Ou conivência
E cobardia
Não pode ser ousadia
Porque não a sente
Nem sentia

Neste juízo se compreende
Quem é mais réu
Se quem acusa
Ou quem se defende

Quem está inocente
Certamente
É aquele que é gente

E a fome sente

domingo, janeiro 25, 2015

O Grupo "Renascer" nos Doces da Mimi


Após a inauguração da exposição de Poesia Ilustrada, o Espaço Doces da Mimi recebeu o grupo de música popular, "Renascer", que faz parte da USALMA e que alegrou todos os presentes com as suas bonitas canções.

Os espectadores gostaram tanto que "obrigaram" os artistas a cantarem mais duas cantigas, depois de ensaiarem a despedida.


A SCALA não só agradece a sua colaboração. como lhes dá os parabéns pelo seu excelente trabalho em prol da música popular portuguesa.

A Poesia Ilustrada da SCALA nos Doces da Mimi


A inauguração da 1ª exposição de poesia ilustrada da SCALA, correu muito bem, com a leitura de todos os poemas, pelos autores presentes (Erick, Luís Alves, Luís Milheiro, Manuel Delgado, Maria Amélia Cortes e Maria Gertrudes Novais), que leram também os dos poetas ausentes (Abrantes Raposo, Alberto Afonso, Américo Morgado, Clara Mestre e Minda).


Um aplauso para os fotógrafos (Aníbal Sequeira, Clara Mestre, Fernando Barão, Gena Souza, Luís Eme e Modesto Viegas).

Com toda a certeza que deverá ser uma experiência a repetir, esperemos que da próxima vez haja a colaboração dos nossos artistas plásticos...

Quem não pode assistir à exposição, poderá fazê-lo até ao fim do próximo mês de Fevereiro (de segunda a sábado, entre as 10 e as 18 horas, com intervalo para o almoço entre as 13 e as 15), no Espaço Doces da Mimi, rua da Liberdade, nº 20 A.

quinta-feira, janeiro 22, 2015

1ª Exposição de Poesia Ilustrada da SCALA


No próximo sábado, dia 24 de Janeiro, às 16 horas, será inaugurada no Espaço Doces da Mimi, a 1ª Exposição de Poesia Ilustrada da SCALA.

Fica desde já lançado o desafio, para aparecerem e descobrirem o que os poetas descobriram em cada um das doze fotografias expostas...que se chama, simbolicamente, "Abraço Fotográfico e Poético".

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Apresentação de "Ginjal 1940, Poemas Dois"


Amanhã, às 17 horas, será apresentado no "Espaço Doces da Mimi, o caderno de poemas, "Ginjal 1940, Poemas Dois", da autoria de Luís Alves Milheiro.

Publicamos antecipadamente um dos poemas:

os barbeiros de cacilhas

Não falta freguesia
aos Barbeiros de Cacilhas,
para o corte da barba e cabelo,
é raro ver-se nas suas casas
uma cadeira vazia.
Desde o velho Quaresma,
ao filho, “Pató”, sem esquecer o Arriaga,
o Domingos “Espanhol”
e o finório do Jaime Soares,
são “baetas” de tal maneira famosos,
que até recebem clientela da Capital,
que adora os seus bons preços
e fica para almoçar no Ginjal.