segunda-feira, julho 05, 2021

Manuel dos Anjos Delgado (1933-2021)


O nosso associado, Manuel dos Anjos Delgado deixou-nos ontem, vítima de um acidente vascular cerebral.

A forma artística  da qual ele mais gostava de expressar, era a poesia. Foi graças a esta paixão que se aproximou da SCALA e se tornou seu associado. 

A sua participação na nossa Sociedade fez-se sentir em várias actividades, ligadas a este género literário. Além da participação nas sessões de "Poesia Vadia" e de "Poesia à Solta", onde declamava com gosto alguns dos seus poemas, também fez parte activa nas exposições de "Poesia Ilustrada", que tiveram lugar na Galeria de Arte da nossa Sede Social.

O Manuel era uma pessoa sensível, alegre e bastante comunicativa, que deixa saudades em todos aqueles que tiveram o prazer de conviver com ele, como foi o nosso caso.

É autor de três obras poéticas ("Sentimentos Vividos em Silêncio", 2010; "Sonhos Inacabados"; 2013; e "Do Alto da Memória ", 2017). Deixa também para a posteridade um quarto livro, praticamente pronto, que estava à espera de apoios para a sua publicação.

(Fotografia de Luís Eme)


domingo, abril 25, 2021

"Abril sem Idade"

 



Abril sem Idade
 
 
Abril é um poema sem idade
Que invade o sonho dos poetas
E lhes lembra a Praça da Liberdade
Que encontraram de portas abertas
 
Fizeram da praça uma canção
Que percorreram de mãos dadas
Com o povo e as forças armadas
Dando vivas à Revolução
 
Saudaram os capitães-coragem
Erguendo um cravo encarnado
E gritaram de punho fechado
Já chega de malandragem!
 
Apesar dos anos passados
Continuam na Praça da Liberdade
E exclamam encantados,
Abril é um poema sem idade!

[Luís Alves Milheiro]


(Desenho de Mártio)


domingo, março 07, 2021

O Adeus de Jorge Gomes Fernandes (1930-2021)


A SCALA perdeu ontem mais um dos seus sócios fundadores: Jorge Gomes Fernandes, filósofo e homem da Cultura, que nunca deixou de se interessar pelo Concelho de Almada, especialmente a sua Cacilhas, onde nasceu e se fez homem.

O Jorge adorava "polemizar", gostava de colocar tudo e todos em causa, acreditava profundamente que era através da discussão e da troca de ideias, que surgia a "luz".

Foi um grande tertuliano das nossas "Tertúlias do Dragão Vermelho". Raramente perdia uma oportunidade de estar com os amigos e de levantar questões sobre os temas abordados. Também foi algumas vezes o "palestrante", divulgando os seus conhecimentos e estudos sobre etimologia e também sobre Cristovão Colombo.

A SCALA e a Cultura Almadense ficam mais pobres com o adeus de Jorge Gomes Fernandes, assim como os seus familiares e amigos.

(Fotografia de Luís Eme)


domingo, janeiro 31, 2021

É Preciso Continuar!


Não sei muito bem em que moldes irá funcionar a Festa das Artes da SCALA em pleno confinamento, muito menos se terá aderência dos sócios-artistas.

Mas isso nem é o mais importante. Todos sabemos que é preciso continuar, seguir em frente.

É sinal de que a Cultura e as Artes continuam bem vivas, apesar de todas as as dificuldades que atravessam.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, novembro 18, 2020

Este Associativismo, que Segue Dentro de Momentos


Pensamos que nem as pessoas mais pessimistas imaginavam que esta pandemia pudesse ter um efeito tão duradouro e negativo, na forma como todos estávamos habituados a viver em comunidade.

Se o Associativismo já estava em "crise", antes, com esta paragem obrigatória apenas se sabe que quando tudo "voltar ao normal" (o que quer que isso seja...), nada será como dantes.

No início pensávamos que a SCALA não seria muito prejudicada, por ser uma pequena colectividade, praticamente sem despesas ou compromissos com terceiros, inadiáveis. Hoje sabemos que todos iremos sofrer na pele os efeitos de um tempo em que somos ainda mais forçados ao individualismo e ao egoísmo - os principais inimigos do Associativismo -, porque todos os convívios estão proibidos (até os familiares...).

Não estamos a enfrentar os problemas de uma Incrível ou de uma Academia, mas temos outros, que poderão ser decisivos quando terminar este pesadelo. Se não conseguirmos projectar o nosso futuro, a curto e médio prazo, não conseguiremos dar o passo em frente necessário. 

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, setembro 25, 2020

Abrantes Raposo (1934 - 2020)


A SCALA ficou ontem mais pobre, com o desaparecimento de mais um dos seus fundadores, José Abrantes Raposo, que teve uma passagem bastante meritória pela cultura, pelo associativismo e pela política almadense.

Além de ser um dos 15 fundadores da SCALA foi presidente de Direcção no biénio 1996/97 (exerceu ainda outros cargos, como vice-presidente Administrativo, vice-presidente Cultural, presidente do Conselho Fiscal) e um sócio bastante activo e apaixonado pela Colectividade que ajudou a fundar, enquanto teve forças para isso.

Encadernador de profissão, a sua oficina foi durante anos a "Sede Provisória" da SCALA e também local de encontro de amigos, com quem falava de livros (uma das sua maiores paixões...), do associativismo e de tudo o que aparecesse a meio da conversa.

Foi uma das figuras centrais da "Tertúlia do Repuxo" e autor de mais de uma dezena de obras de poesia e ensaio histórico (destacamos as biografias de Elias Garcia - da qual é co-autor - e  do pintor Manuel Henrique Pinto e também "Gente de Letras com Vínculo a Almada - dicionário bio-bibliográfico").

Teve também uma participação política importante a nível local, como militante do PS. Foi deputado municipal e o primeiro Presidente da Assembleia de Freguesia de Cacilhas, que ajudou a criar.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, setembro 11, 2020

A SCALA na Homenagem a Henrique Mota


Além de actuais dirigentes da SCALA, foi bonito ver, ontem ao começo da tarde, algumas figuras históricas da Sociedade Cultural, com destaque para dois dos seus fundadores, e também inúmeros associados que não quiseram perder esta oportunidade de reviver e homenagear Henrique Mota, figura cimeira do Associativismo e da Literatura Almadense do Século XX, no dia que fez cem anos.

(Fotografia de Modesto Viegas)

sábado, agosto 22, 2020

Jorge Gomes Fernandes: o fundador da SCALA mais peculiar


Este Agosto quase parado, nas coisas da Cultura, é bom para recordar alguém especial: o Jorge Gomes Fernandes, que embora seja cacilhense de coração, é o bom exemplo do "cidadão do mundo", sempre pronto para conhecer ou para conversar sobre coisas novas.

A sua formação em filosofia e a sua paixão por polémicas, fazia com que adorasse questionar, tudo e todos (mesmo que muitas vezes passasse por "chato" e fugissem dele a sete pés).

Foi esse gosto pelas conversas e pelas questões que o levaram a aparecer no "Repuxo", revivendo amizades antigas e conquistando novas. Quando soube da ideia de se fundar uma associação cultural em Almada, aderiu de imediato. A cultura era o mais o seduzia, especialmente o mundo das letras (o ensaio, a poesia, a ficção... era tudo bem vindo).

Durante o tempo em que realizámos as "Tertúlias do Dragão", era raro faltar. E vinha de Lisboa, mas o que queria era ouvir e depois questionar (mesmo que fosse só para "discutir o sexo dos anjos"...).

E depois foi desaparecendo do mapa, um casamento tardio foi o levando da sua Cacilhas, ao ponto de hoje não sabermos nada sobre o seu paradeiro.

Mas onde quer que esteja, o Jorge, continua a ser o fundador da SCALA mais peculiar. O que ele fazia por uma polémica, e sem perder a bonomia (mesmo que nos "esgotasse" a paciência)...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, julho 12, 2020

A SCALA e a Velha Parábola de "O Velho, o Rapaz e o Burro"...


Não faço ideia de quem escreveu a parábola de "O Velho, o Rapaz e o Burro". Sei apenas que ela irá permanecer actual enquanto existirem no mundo pessoas de idade, jovens e animais.

Pensei nela numa conversa que tive recentemente com alguém, mais jovem que eu, que queria saber o que tinham sido as "Tertúlias da SCALA no Dragão". 

Fiz uma pequena síntese histórica onde tive obrigatoriamente de falar no seu ideólogo, Fernando Barão, sem me retirar do retrato (fui eu que continuei o seu legado durante vários anos...). Mas o que este rapaz quis saber era quais eram os nossos objectivos, e se eles tinham sido conseguidos, ao longo de mais de onze anos, em que realizámos tertúlias culturais no primeiro andar do café "Dragão Vermelho", por onde passaram algumas das personagens mais importantes e curiosas da Cultura Almadense (e também algumas figuras nacionais, como foram o caso de Raul Solnado ou Vasco Lourenço).

Disse-lhe que os nossos objectivos, enquanto associação cultural (a SCALA é sobretudo uma associação cultural), foram amplamente conseguidos. Destruímos alguns mitos, o maior talvez fosse a capacidade de fazer algo de importante, sem ter nenhuma ligação ao Poder Local (o único apoio que recebemos foi dos donos do "Café Dragão Vermelho", que sempre nos deram apoio e a única contrapartida que recebiam era a despesa que fazíamos, quem queria ía lá jantar, quem queria apenas assistir à "Tertúlia", podia apenas beber um café...).

Por sabermos que havia uma grande défice cultural no nosso país, achámos por bem, fazer algo de diferente, que enriquecesse as pessoas, ao mesmo tempo que lhes oferecia um convívio familiar (e durante anos sentimos-nos mesmo uma "família", os meus filhos cresceram lá, apaparicados por todos aqueles amigos...). 

Claro que tivemos alguns "inimigos" de peso. O maior talvez fosse o futebol (a "Tertúlia" era mensal e realizava-se na primeira quinta-feira no mês e muitas vezes coincidia com as jornadas europeias...). Notava-se a ausência de alguns amigos quando jogava o Benfica, o Sporting ou o Porto...

Mas estou a "estender o lençol", sem dizer o que queria... Quando fui buscar "O Velho, o Rapaz e o Burro", tem muito a ver com as reacções dispares de algumas pessoas, para justificarem a sua ausência: uns não iam porque era demasiado "intelectual"; outras achavam que aquela cultura era demasiado popular; e outros ainda, achavam que deviam ser só para a SCALA e com pessoas da SCALA...

Estavam todos errados. Embora soubéssemos (eu e o Fernando, falámos várias vezes sobre o assunto...) que a cultura era uma coisa de minorias, queríamos chegar ao maior número de pessoas, sem qualquer tipo de prurido social ou cultural.

E foi muito bom, enquanto durou... Como tudo na vida, teve o seu tempo. Mas foi uma boa "pedrada no charco" na cultura de Almada.

Nota: texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Gena de Souza - Almada)

terça-feira, junho 30, 2020

É No Mínimo Absurdo e Pouco Ético


O "Covid 19" pode servir para muitas desculpas, mas não para que não seja confirmada a realização da Assembleia Geral da SCALA, num espaço municipal.

No dia 11 de Junho recebemos o seguinte e-mail:

Caros associados,

em devido tempo foi solicitada a sala Pablo Neruda, para o dia 26 de junho, no Forum Romeu Correia, para realizar a Assembleia Geral, sendo que ainda aguardamos a respectiva confirmação.
Isto resulta do pouco espaço disponível na sede da Scala, face ao espaço exigido para a realização deste tipo de reuniões.
Junto enviamos a convocatória.
Com os melhores cumprimentos,

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Francisco Manuel Naia Tonicher

No dia 27 de Junho este:

Caros associados,
a ASSEMBLEIA GERAL para aprovação do relatório de contas de 2019 e do relatório de atividades para 2020 realizou-se na sala Pablo Neruda do forum Romeu Correia, 26.junho.2020, de acordo com a convocatória feita.
A reunião decorreu a contento de todos os presentes, tendo os documentos sido aprovados por unanimidade. O local de realização da A.G. prende-se com o covid e o distanciamento necessário para este género de reuniões, pois tal não foi possível na sede da Scala.
Com os melhores cumprimentos,
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Francisco Naia Tonicher

Embora possa ter sido enviada uma confirmação da realização da Assembleia, que eu não recebi (o que não acredito...),  pensamos que os Associados da SCALA mereciam mais respeito dos seus dirigentes, especialmente do seu presidente da Mesa da Assembleia Geral. Todos deviam ter vista confirmada a data da Assembleia Geral e a sua localização, até por estarmos a viver um período estranho nas nossas vidas, que exige mais cuidados e segurança em lugares fechados.

O Associativismo é outra coisa, com toda a certeza. 

(Texto de Luís Milheiro e fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, maio 25, 2020

Fernando Barão (1924-2020)


Deixou-nos hoje, a meio da manhã, Fernando Barão, um dos nossos sócios fundadores e uma das grandes figuras da Cultura e do Movimento Associativo Almadense do século XX.

A inteligência, a bonomia e o amor pelas coisas da Cultura, fizeram com que Fernando Barão fosse  o fundador da SCALA com maior influência no crescimento e na boa imagem que a nossa Associação foi deixando, nos lugares onde nos abriram portas e nos deixaram fazer Cultura. 

O seu traço dominante sempre foi a extraordinária capacidade de interagir com os outros, fazendo com que na actualidade, Fernando Barão continuasse a ser uma das figuras mais acarinhadas e respeitadas do Concelho de Almada.

Sabemos que a sua sabedoria e a sua alegria irão permanecer entre nós,  através dos livros que nos deixou, mas sobretudo na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer e conviver com o Fernando Barão.

(Fotografia de Luís Eme - Fernando Barão no Café Dragão Vermelho de Almada, durante uma das muitas "Tertúlias da SCALA no Dragão", do qual foi o ideólogo e o principal animador nos primeiros anos)