sexta-feira, setembro 25, 2020

Abrantes Raposo (1934 - 2020)


A SCALA ficou ontem mais pobre, com o desaparecimento de mais um dos seus fundadores, José Abrantes Raposo, que teve uma passagem bastante meritória pela cultura, pelo associativismo e pela política almadense.

Além de ser um dos 15 fundadores da SCALA foi presidente de Direcção no biénio 1996/97 (exerceu ainda outros cargos, como vice-presidente Administrativo, vice-presidente Cultural, presidente do Conselho Fiscal) e um sócio bastante activo e apaixonado pela Colectividade que ajudou a fundar, enquanto teve forças para isso.

Encadernador de profissão, a sua oficina foi durante anos a "Sede Provisória" da SCALA e também local de encontro de amigos, com quem falava de livros (uma das sua maiores paixões...), do associativismo e de tudo o que aparecesse a meio da conversa.

Foi uma das figuras centrais da "Tertúlia do Repuxo" e autor de mais de uma dezena de obras de poesia e ensaio histórico (destacamos as biografias de Elias Garcia - da qual é co-autor - e  do pintor Manuel Henrique Pinto e também "Gente de Letras com Vínculo a Almada - dicionário bio-bibliográfico").

Teve também uma participação política importante a nível local, como militante do PS. Foi deputado municipal e o primeiro Presidente da Assembleia de Freguesia de Cacilhas, que ajudou a criar.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, setembro 11, 2020

A SCALA na Homenagem a Henrique Mota


Além de actuais dirigentes da SCALA, foi bonito ver, ontem ao começo da tarde, algumas figuras históricas da Sociedade Cultural, com destaque para dois dos seus fundadores, e também inúmeros associados que não quiseram perder esta oportunidade de reviver e homenagear Henrique Mota, figura cimeira do Associativismo e da Literatura Almadense do Século XX, no dia que fez cem anos.

(Fotografia de Modesto Viegas)

sábado, agosto 22, 2020

Jorge Gomes Fernandes: o fundador da SCALA mais peculiar


Este Agosto quase parado, nas coisas da Cultura, é bom para recordar alguém especial: o Jorge Gomes Fernandes, que embora seja cacilhense de coração, é o bom exemplo do "cidadão do mundo", sempre pronto para conhecer ou para conversar sobre coisas novas.

A sua formação em filosofia e a sua paixão por polémicas, fazia com que adorasse questionar, tudo e todos (mesmo que muitas vezes passasse por "chato" e fugissem dele a sete pés).

Foi esse gosto pelas conversas e pelas questões que o levaram a aparecer no "Repuxo", revivendo amizades antigas e conquistando novas. Quando soube da ideia de se fundar uma associação cultural em Almada, aderiu de imediato. A cultura era o mais o seduzia, especialmente o mundo das letras (o ensaio, a poesia, a ficção... era tudo bem vindo).

Durante o tempo em que realizámos as "Tertúlias do Dragão", era raro faltar. E vinha de Lisboa, mas o que queria era ouvir e depois questionar (mesmo que fosse só para "discutir o sexo dos anjos"...).

E depois foi desaparecendo do mapa, um casamento tardio foi o levando da sua Cacilhas, ao ponto de hoje não sabermos nada sobre o seu paradeiro.

Mas onde quer que esteja, o Jorge, continua a ser o fundador da SCALA mais peculiar. O que ele fazia por uma polémica, e sem perder a bonomia (mesmo que nos "esgotasse" a paciência)...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, julho 12, 2020

A SCALA e a Velha Parábola de "O Velho, o Rapaz e o Burro"...


Não faço ideia de quem escreveu a parábola de "O Velho, o Rapaz e o Burro". Sei apenas que ela irá permanecer actual enquanto existirem no mundo pessoas de idade, jovens e animais.

Pensei nela numa conversa que tive recentemente com alguém, mais jovem que eu, que queria saber o que tinham sido as "Tertúlias da SCALA no Dragão". 

Fiz uma pequena síntese histórica onde tive obrigatoriamente de falar no seu ideólogo, Fernando Barão, sem me retirar do retrato (fui eu que continuei o seu legado durante vários anos...). Mas o que este rapaz quis saber era quais eram os nossos objectivos, e se eles tinham sido conseguidos, ao longo de mais de onze anos, em que realizámos tertúlias culturais no primeiro andar do café "Dragão Vermelho", por onde passaram algumas das personagens mais importantes e curiosas da Cultura Almadense (e também algumas figuras nacionais, como foram o caso de Raul Solnado ou Vasco Lourenço).

Disse-lhe que os nossos objectivos, enquanto associação cultural (a SCALA é sobretudo uma associação cultural), foram amplamente conseguidos. Destruímos alguns mitos, o maior talvez fosse a capacidade de fazer algo de importante, sem ter nenhuma ligação ao Poder Local (o único apoio que recebemos foi dos donos do "Café Dragão Vermelho", que sempre nos deram apoio e a única contrapartida que recebiam era a despesa que fazíamos, quem queria ía lá jantar, quem queria apenas assistir à "Tertúlia", podia apenas beber um café...).

Por sabermos que havia uma grande défice cultural no nosso país, achámos por bem, fazer algo de diferente, que enriquecesse as pessoas, ao mesmo tempo que lhes oferecia um convívio familiar (e durante anos sentimos-nos mesmo uma "família", os meus filhos cresceram lá, apaparicados por todos aqueles amigos...). 

Claro que tivemos alguns "inimigos" de peso. O maior talvez fosse o futebol (a "Tertúlia" era mensal e realizava-se na primeira quinta-feira no mês e muitas vezes coincidia com as jornadas europeias...). Notava-se a ausência de alguns amigos quando jogava o Benfica, o Sporting ou o Porto...

Mas estou a "estender o lençol", sem dizer o que queria... Quando fui buscar "O Velho, o Rapaz e o Burro", tem muito a ver com as reacções dispares de algumas pessoas, para justificarem a sua ausência: uns não iam porque era demasiado "intelectual"; outras achavam que aquela cultura era demasiado popular; e outros ainda, achavam que deviam ser só para a SCALA e com pessoas da SCALA...

Estavam todos errados. Embora soubéssemos (eu e o Fernando, falámos várias vezes sobre o assunto...) que a cultura era uma coisa de minorias, queríamos chegar ao maior número de pessoas, sem qualquer tipo de prurido social ou cultural.

E foi muito bom, enquanto durou... Como tudo na vida, teve o seu tempo. Mas foi uma boa "pedrada no charco" na cultura de Almada.

Nota: texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Gena de Souza - Almada)

terça-feira, junho 30, 2020

É No Mínimo Absurdo e Pouco Ético


O "Covid 19" pode servir para muitas desculpas, mas não para que não seja confirmada a realização da Assembleia Geral da SCALA, num espaço municipal.

No dia 11 de Junho recebemos o seguinte e-mail:

Caros associados,

em devido tempo foi solicitada a sala Pablo Neruda, para o dia 26 de junho, no Forum Romeu Correia, para realizar a Assembleia Geral, sendo que ainda aguardamos a respectiva confirmação.
Isto resulta do pouco espaço disponível na sede da Scala, face ao espaço exigido para a realização deste tipo de reuniões.
Junto enviamos a convocatória.
Com os melhores cumprimentos,

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Francisco Manuel Naia Tonicher

No dia 27 de Junho este:

Caros associados,
a ASSEMBLEIA GERAL para aprovação do relatório de contas de 2019 e do relatório de atividades para 2020 realizou-se na sala Pablo Neruda do forum Romeu Correia, 26.junho.2020, de acordo com a convocatória feita.
A reunião decorreu a contento de todos os presentes, tendo os documentos sido aprovados por unanimidade. O local de realização da A.G. prende-se com o covid e o distanciamento necessário para este género de reuniões, pois tal não foi possível na sede da Scala.
Com os melhores cumprimentos,
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Francisco Naia Tonicher

Embora possa ter sido enviada uma confirmação da realização da Assembleia, que eu não recebi (o que não acredito...),  pensamos que os Associados da SCALA mereciam mais respeito dos seus dirigentes, especialmente do seu presidente da Mesa da Assembleia Geral. Todos deviam ter vista confirmada a data da Assembleia Geral e a sua localização, até por estarmos a viver um período estranho nas nossas vidas, que exige mais cuidados e segurança em lugares fechados.

O Associativismo é outra coisa, com toda a certeza. 

(Texto de Luís Milheiro e fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, maio 25, 2020

Fernando Barão (1924-2020)


Deixou-nos hoje, a meio da manhã, Fernando Barão, um dos nossos sócios fundadores e uma das grandes figuras da Cultura e do Movimento Associativo Almadense do século XX.

A inteligência, a bonomia e o amor pelas coisas da Cultura, fizeram com que Fernando Barão fosse  o fundador da SCALA com maior influência no crescimento e na boa imagem que a nossa Associação foi deixando, nos lugares onde nos abriram portas e nos deixaram fazer Cultura. 

O seu traço dominante sempre foi a extraordinária capacidade de interagir com os outros, fazendo com que na actualidade, Fernando Barão continuasse a ser uma das figuras mais acarinhadas e respeitadas do Concelho de Almada.

Sabemos que a sua sabedoria e a sua alegria irão permanecer entre nós,  através dos livros que nos deixou, mas sobretudo na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer e conviver com o Fernando Barão.

(Fotografia de Luís Eme - Fernando Barão no Café Dragão Vermelho de Almada, durante uma das muitas "Tertúlias da SCALA no Dragão", do qual foi o ideólogo e o principal animador nos primeiros anos)

domingo, maio 17, 2020

Parabéns Ginásio pelo Primeiro Centenário


Se há Colectividade no Concelho de Almada a quem a SCALA muito deve, é ao Ginásio Clube do Sul.

Quando precisávamos de um espaço para nos reunirmos e encontrarmos, cederam-nos, graciosamente, uma sala do Centro Comercial M. Bica, que funcionou com sede durante mais de uma década.

Também desenvolvemos várias parcerias culturais, promovendo exposições artísticas (pintura e fotografia) no hall do Pavilhão Polidesportivo e realizando o "Prémio Henrique Mota", um concurso literário de homenagem ao nosso sócio fundador, Henrique Mota, uma das grandes figuras da história do Ginásio Clube do Sul.

Ou seja, temos motivos vários para estarmos gratos pela camaradagem  e pela amizade desta colectividade, que a partir de hoje, entra para o clube das "Centenárias de Almada".

Gratos, cantamos, "Parabéns Ginásio!"

quinta-feira, abril 23, 2020

"Henrique Mota, Atleta, Treinador, Dirigente e Escritor Almadense"


Hoje comemora-se o Dia Mundial do Livro.

Por estarmos no ano do centenário de  Henrique Mota, um dos nossos sócios fundadores e o primeiro presidente da Mesa da Assembleia Geral da SCALA,  publicitamos a obra "Henrique Mota, Atleta, Dirigente e Escritor Almadense", coordenada por Luís Alves Milheiro e que fez o seu esboço biográfico. 

Além da biografia são também publicados os contos premiados do "Prémio Literário Henrique Mota", organizado pela SCALA e pelo Ginásio Clube do Sul.

A obra foi publicada na comemoração do 90.º aniversário do Henrique Mota (em 2010).

sábado, março 21, 2020

Este Estranho Dia da Poesia...


Se há coisa que o "Covid 19" consegue, é quase ignorar a comemoração de datas (inclusive a de aniversários...). 

Claro que todos aqueles que gostam de poesia, de uma forma ou de outra, vão festejar este dia, a ler, a escrever, a declamar, a ouvir... 

Nós vamos festejar este dia por aqui, com um pouco de história, recordando a "1.ª Festa da Poesia de Almada", que se realizou na noite de 21 de Março de 2011, no Salão de Festas da Incrível.

Procurámos que esta festa fosse o mais abrangente possível, foi por isso que além da SCALA e da Incrível Almadense, chamámos ao nosso momento festivo O Farol, o Debaixo do Bulcão e os Poetas Almadenses. Como costuma acontecer nestas coisas, o apoio dado à iniciativa foi desigual, mas mesmo assim, o Salão de Festas (que é realmente grande para um evento desta natureza...) foi transformado em "café-concerto", com um pequeno palco, aberto a todos aqueles que quisessem dizer poesia- Houve também um momento teatral, evocativo dos nossos maiores poetas, interpretado pelo Cénico Incrível.

E felizmente, correu muito bem. Poesia e alegria não faltaram. Até vieram Poetas da Capital para festejar este dia connosco, em Almada.

O cartaz contou com o "empréstimo" de uma bela imagem do grande pintor almadense, Albino Moura, que já não está entre nós, também ele poeta das palavras (além das imagens, claro).

quinta-feira, março 05, 2020

O Dia de Aniversário da SCALA


Hoje é a data oficial da fundação da SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada, criada no ano de 1994, por 15 homens ligados à cultura e ao associativismo Almadense.

Uma boa parte deles foram (e são) bons amigos, aprendi muito com eles, sobre a história de Almada, mas também sobre a natureza humana. E não esqueço que foram eles que me abriram as portas do Associativismo, que era uma marca única da nossa Terra.

Dos que já partiram, não esqueço o Arménio Reis, o Henrique Mota e o Victor Aparício. Dos que ainda cá estão, é bom ainda puder trocar dois dedos de conversa com o Fernando Barão, o Diamantino Lourenço e o Abrantes Raposo.

Apesar da SCALA de hoje já não ser a Sociedade que fundaram, têm todos motivos de sobra para estarem orgulhosos, pelo muito que fizeram pela Cultura Almadense.

(Desenho da autoria de Any Ana, outra grande Amiga que conheci graças à SCALA e que já não está entre nós...)

Nota: Texto publicado inicialmente no blogue "Casario do Ginjal" e transcrito para o blogue Scalano.

sábado, fevereiro 29, 2020

O "Espectáculo" Superou as Artes na sua Festa...


Nunca se realizaram tantas actividades complementares (musicais)  na "Festa das Artes da SCALA", como em 2020.

Curiosamente, esta "fartura" não foi aplaudida, especialmente por uma boa parte dos participantes na "Festa".

Vários artistas deram mostras do seu descontentamento, especialmente no dia da inauguração da exposição, onde quase não puderam visualizar os quadros em exposição, porque os discursos e a música popular foram mais importantes que o habitual convívio entre artistas, assim como o seu olhar crítico sobre as obras expostas.

E também não deixa de ser estranho, que durante uma exposição artística, se tenham realizado seis eventos na Oficina de Cultura, e que nenhum deles versasse sobre Arte...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)