quarta-feira, junho 18, 2008

Ainda Humberto Delgado

AS VITÓRIAS NA COVA DA PIEDADE



«As eleições durante os 48 anos de ditadura ficaram marcadas no concelho de Almada por duas vitórias importantes da oposição sobre os candidatos da «nação». Ocorreram ambas na Cova da Piedade, terra de grandes tradições antifascistas devido ao elevado fluxo de operários a residir na freguesia.
Estamos a reportar-nos às eleições presidenciais de 1958, com a vitória do general Humberto Delgado, e às eleições de deputados para a Assembleia Nacional em 1969, com a vitória da Comissão Democrática Eleitoral.
Essas vitórias só foram possíveis porque a Cova da Piedade sempre foi o principal bastião da luta antifascista no concelho, devido à implantação da indústria corticeira na freguesia, junto às margens do Tejo.
A acção política dos corticeiros iniciou-se no final dos anos vinte, com várias manifestações de protesto contra o agravamento da sua situação profissional, cada vez mais difícil. Nessa época a corrente ideológica mais forte junto dos operários era o Anarco-Sindicalismo, o grande percursor dos movimentos de oposição em Almada.
Essas manifestações culminaram com o movimento de 18 de Janeiro de 1934, que tornou a vida dos trabalhadores ainda mais dura e difícil, com o aumento da repressão e da exploração no seio das fábricas mais activas na defesa dos interesses laborais.
A partir dessa época o Anarco-Sindicalismo começou a perder a força e influência junto da classe operária devido à prisão dos seus principais elementos. O Partido Comunista Português aproveitou esse vazio que se estava a espalhar junto dos trabalhadores para conquistar apoios na Margem Sul. Foi de tal forma bem sucedido que no início dos anos quarenta era praticamente a única estrutura política antifascista, devidamente organizada no país.
A Cova da Piedade acabou por se tornar um centro privilegiado na luta antifascista, devido ao forte enraizamento político dos seus habitantes, preparados para o que fosse necessário em prole da democracia.
Só com esse espírito é que foi possível garantir a vitória de Humberto Delgado, nas Eleições Presidenciais de 8 de Junho de 1958, nas mesas de voto da Freguesia.
Apesar das fraudes[1] que assolaram quase todas as mesas de voto do país, Humberto Delgado ainda venceu em cinquenta freguesias, uma das quais, a Cova da Piedade. Os elementos da oposição que fiscalizavam o acto eleitoral resistiram estoicamente às muitas manobras realizadas para os colocarem fora da sala onde se encontravam as urnas. Não seriam bem sucedidos e tiveram de ficar com os maços de votos de Américo Tomás guardados nos bolsos.
Quando foi anunciado o resultado a multidão que circundava o parque da Cova da Piedade rejubilou de alegria, ovacionando João Raimundo e outros camaradas, que nunca perderam de vista os «farsantes» do regime.
Algumas pessoas que assistiram a tudo o que se passou, ainda hoje se sentem indignadas pelo decoro e falta de vergonha de meia-dúzia de indivíduos que se tinham vendido ao salazarismo.
Houve vários tipos de fraudes, desde pessoas inscritas em várias freguesias que votaram duas e três vezes, até gente que teve o desaforo de votar por cidadãos já falecidos. Além disso, os elementos das mesas estavam quase todos precavidos com maços de votos, saídos das tipografias, que foram enfiados nas urnas quando não se encontrava ninguém da oposição por perto.
Almada ficou em polvorosa com os resultados eleitorais e o povo saiu para a rua, manifestando-se durante vários dias contra o fascismo e a mentira salazarista.
Em 26 de Outubro de 1969, Cova da Piedade voltou a constar nos ficheiros da democracia, com a vitória da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) na Freguesia.
As eleições para a Assembleia Nacional, as primeiras da era marcelista, decorreram em condições de razoável autenticidade, embora o recenseamento continuasse a ser vedado a uma grande parte da população portuguesa.
Após os resultados eleitorais, Cova da Piedade voltou a sair para a rua, festejando com a alegria possível a vitória da lista da CDE, composta por elementos da esquerda democrática do distrito, perante o olhar atento das forças da ordem.


(Texto extraído de um dos capítulos do livro: Almada e a Resistência Antifacista, de Luís Alves Milheiro)


[1] Pessoas afectas ao regime que votaram em mais que uma freguesia; boletins de voto a favor de Américo Tomás colocados aos maços nas urnas; mortos que «ressuscitaram» para puder votar, etc.

quinta-feira, junho 12, 2008

Humberto Delgado Recordado no Dragão




A tertúlia sobre "A Vitória de Humberto Delgado na Cova da Piedade nas Eleições Presidenciais de 1958", foi um grande momento sobre a nossa história recente, graças a Mário Araújo, que foi de uma grande eloquência, e foi mais longe que o tema, abordando todo o percurso político do "General Sem Medo", até ao seu assassínio cobarde, perpetuado pela PIDE, assim como a luta antifascista que se fazia na Cova da Piedade.


Queremos e devemos registar o testemunho e a participação de inúmeros tertulianos, que assistiram a muitas das peripécias, que rodearam esta campanha heróica que fez tremer Salazar. Nomeadamente, Fernando Barão, Abrantes Raposo, Nogueira Pardal e Diamantino Lourenço, que enriqueceram esta excelente jornada sobre a nossa história.

quarta-feira, junho 04, 2008

Tertúlia Sobre Humberto Delgado


Amanhã realiza-se mais uma Tertúlia no "Dragão Vermelho".

Desta vez iremos falar sobre "A Vitória de Humberto Delgado na Cova da Piedade, nas Eleições Presidenciais de 1958".

O nosso convidado é Mário Araújo, grande democrata e associativista, que viveu todos estes acontecimentos na época, na Cova da Piedade, a Freguesia com maiores tradições democratas de Almada.

Apareçam...

quarta-feira, maio 28, 2008

Convite


Amanhã, dia 29 de Maio, às 21 horas, será feita a apresentação pública da revista cultural "Anais de Almada", nº 9 -10, na Casa Pargana, Almada.

Entre os vários trabalhos editados, regista-se o ensaio: "As Ruas Direitas: Breves Anotações Históricas", da autoria do nosso associado e dirigente, Diamantino Lourenço.

domingo, maio 11, 2008

Uma Bela Surpresa



A Tertúlia de quinta-feira foi uma boa surpresa, para todos aqueles que apareceram no "Dragão Vermelho".
O eng. José Miquel Cabeças, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologias, explicou-nos muito bem a importância da ergonomia no nosso dia a dia, especialmente nos locais de trabalho.

Houve uma excelente interacção entre este excelente orador e a plateia atenta, nas respostas e nas questões levantadas.

terça-feira, maio 06, 2008

Tertúlia Sobre a Importância da Ergonomia


O Engenheiro José Miquel Cabeças é o convidado da próxima tertúlia, que se realiza na quinta-feira, no "Dragão Vermelho".

José Miquel Cabeças é professor associado da FCT e especialista em Ergonomia e Gestão de Produção. De certeza que nos irá dar alguns conselhos importantes sobre a nossa postura no trabalho e em casa...

quarta-feira, abril 30, 2008

O Lançamento dos " 25 Olhares de Abril"



O lançamento da obra "25 Olhares de Abril" decorreu de uma forma especial, graças à apresentação de Maria Barroso, à explicação do porquê deste livro, pelo seu coordenador, Carlos Garrido, e também às palavras de alguns dos cronistas, que narraram as suas vivências do 25 de Abril de 1974, esse dia bonito e luminoso que ainda nos vai dando luz e esperança neste nosso dia a dia...

quinta-feira, abril 24, 2008

25 Olhares de Abril


A SCALA está muito bem representada na obra "25 Olhares de Abril", vinte cinco crónicas escritas por pessoas de gerações, gostos e ideais diferentes, não fosse esta coordenada pelo scalano Carlos Garrido.

A obra com o prefácio de Maria Barroso e capa do almadense Albino Moura, é assinada por: Abrantes Raposo, Aida Baptista, Albino Moura, Alice Tomé, Ana Júlia Sança, Artur Vaz, Carlos Cardoso Luís, Carlos Garrido, Carlos Pimenta, Cid Simões, Cristovão de Aguiar, Domingos Marques, Fernando Barão, Fernando Vasco, Gabriela Silva, Ilda Januário, Joaquim Alves Lavado, Jorge Paulos, José Carlos Fonseca, José Nascimento, Kalidás Barreto, Luís Alves Milheiro, Manuel Freire, Manuela Marujo e Maria Luísa Baptista.

A SCALA aplaude a obra e os nossos associados: Carlos Garrido, Abrantes Raposo, Artur Vaz, Fernando Barão e Luís Alves Milheiro.
O livro será lançado já no próximo dia 29 de Abril (terça-feira), às 18.30 horas, na Livraria Círculo das Letras (rua Augusto Gil, 15-B), em Lisboa.

quarta-feira, abril 23, 2008

Vivam os Livros!


Porque hoje é o Dia Mundial do Livro, a SCALA saúda e abraça todos os amantes da leitura, da escrita e dos livros...


segunda-feira, abril 21, 2008

Foto-reportagem da tertúlia sobre Cristóvão Colombo

Demorou mas aqui estão, finalmente, as fotografias da tertúlia sobre o Cristóvão Colombo. A comprovar o que se disse no artigo anterior. Ou seja, que tivemos casa cheia para ouvir Jorge Fernandes.

Fotografias de Ermelinda Toscano e Luís Veiga.

domingo, abril 06, 2008

O Cristovão Colombo de Jorge Gomes Fernandes


Na última quinta-feira o "Dragão Vermelho" encheu-se para assistir a mais uma tertúlia que teve como convidado o filósofo e investigador, Jorge Gomes Fernandes, natural de Cacilhas e um dos quinze fundadores da SCALA.

O tema prometia, "Cristovão Colombo, Certezas, Dúvidas e Contradições", e Jorge conseguiu oferecer uma panorâmica viva e interessante sobre os mistérios, as mentiras e as verdades, que circulam em redor desta grande figura da História Mundial.

No final deu a conhecer a sua "tese": para Jorge Gomes Fernandes Cristovão Colombo, terá nascido em Porto Santo, originário de uma família de judeus (os Cólon), que fugira da Guerra dos 100 Anos...

sábado, março 29, 2008

Visite a Festa das Artes da SCALA


Ainda pode visitar a Festa das Artes da SCALA, na Oficina de Cultura de Almada, hoje e amanhã.

Apesar do transtorno da obras no exterior, vai encontrar uma exposição bastante diversificada e atraente, com obras de artesanato, escultura, pintura e fotografia, da autoria de 19 artistas scalanos:

Aires de Almeida; António Gageiro; Anyana; Bordonhos; Carlos Canhão; D'Souza; Manuela Vasconcelos; Martins Lopes; Mártio; Tónia (pintura); Alberto Afonso; Aníbal Sequeira; Carlos Banha; Fernando Barão; João Soeiro; Luís Eme; Maria Ermelinda Toscano (fotografia); Conceição Freitas (escultura); Lurdes Andrade (artesanato).

terça-feira, março 25, 2008

XIV Festa das Artes da SCALA

É já amanhã a inauguração da 14.ª Exposição anual da SCALA - artesanto, escultura, fotografia, literatura e pintura. Na Oficina de Cultura, pelas 21h. E, infelizmente, só dura até domingo.
Apareça. Contamos consigo.




sexta-feira, março 21, 2008

Colombo: o enigma.


Cristóvão Colombo era, afinal, português? Mistério... análise histórica e suposições. Que certezas fundamentam as várias teorias sobre a origem de Cristóvão Colombo? Que dúvidas ficam após a interpretação lógica e racional das provas documentais? Que contradições persistem entre as várias versões?

Sessão mensal de "Poesia Vadia"