sábado, agosto 22, 2020

Jorge Gomes Fernandes: o fundador da SCALA mais peculiar


Este Agosto quase parado, nas coisas da Cultura, é bom para recordar alguém especial: o Jorge Gomes Fernandes, que embora seja cacilhense de coração, é o bom exemplo do "cidadão do mundo", sempre pronto para conhecer ou para conversar sobre coisas novas.

A sua formação em filosofia e a sua paixão por polémicas, fazia com que adorasse questionar, tudo e todos (mesmo que muitas vezes passasse por "chato" e fugissem dele a sete pés).

Foi esse gosto pelas conversas e pelas questões que o levaram a aparecer no "Repuxo", revivendo amizades antigas e conquistando novas. Quando soube da ideia de se fundar uma associação cultural em Almada, aderiu de imediato. A cultura era o mais o seduzia, especialmente o mundo das letras (o ensaio, a poesia, a ficção... era tudo bem vindo).

Durante o tempo em que realizámos as "Tertúlias do Dragão", era raro faltar. E vinha de Lisboa, mas o que queria era ouvir e depois questionar (mesmo que fosse só para "discutir o sexo dos anjos"...).

E depois foi desaparecendo do mapa, um casamento tardio foi o levando da sua Cacilhas, ao ponto de hoje não sabermos nada sobre o seu paradeiro.

Mas onde quer que esteja, o Jorge, continua a ser o fundador da SCALA mais peculiar. O que ele fazia por uma polémica, e sem perder a bonomia (mesmo que nos "esgotasse" a paciência)...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, julho 12, 2020

A SCALA e a Velha Parábola de "O Velho, o Rapaz e o Burro"...


Não faço ideia de quem escreveu a parábola de "O Velho, o Rapaz e o Burro". Sei apenas que ela irá permanecer actual enquanto existirem no mundo pessoas de idade, jovens e animais.

Pensei nela numa conversa que tive recentemente com alguém, mais jovem que eu, que queria saber o que tinham sido as "Tertúlias da SCALA no Dragão". 

Fiz uma pequena síntese histórica onde tive obrigatoriamente de falar no seu ideólogo, Fernando Barão, sem me retirar do retrato (fui eu que continuei o seu legado durante vários anos...). Mas o que este rapaz quis saber era quais eram os nossos objectivos, e se eles tinham sido conseguidos, ao longo de mais de onze anos, em que realizámos tertúlias culturais no primeiro andar do café "Dragão Vermelho", por onde passaram algumas das personagens mais importantes e curiosas da Cultura Almadense (e também algumas figuras nacionais, como foram o caso de Raul Solnado ou Vasco Lourenço).

Disse-lhe que os nossos objectivos, enquanto associação cultural (a SCALA é sobretudo uma associação cultural), foram amplamente conseguidos. Destruímos alguns mitos, o maior talvez fosse a capacidade de fazer algo de importante, sem ter nenhuma ligação ao Poder Local (o único apoio que recebemos foi dos donos do "Café Dragão Vermelho", que sempre nos deram apoio e a única contrapartida que recebiam era a despesa que fazíamos, quem queria ía lá jantar, quem queria apenas assistir à "Tertúlia", podia apenas beber um café...).

Por sabermos que havia uma grande défice cultural no nosso país, achámos por bem, fazer algo de diferente, que enriquecesse as pessoas, ao mesmo tempo que lhes oferecia um convívio familiar (e durante anos sentimos-nos mesmo uma "família", os meus filhos cresceram lá, apaparicados por todos aqueles amigos...). 

Claro que tivemos alguns "inimigos" de peso. O maior talvez fosse o futebol (a "Tertúlia" era mensal e realizava-se na primeira quinta-feira no mês e muitas vezes coincidia com as jornadas europeias...). Notava-se a ausência de alguns amigos quando jogava o Benfica, o Sporting ou o Porto...

Mas estou a "estender o lençol", sem dizer o que queria... Quando fui buscar "O Velho, o Rapaz e o Burro", tem muito a ver com as reacções dispares de algumas pessoas, para justificarem a sua ausência: uns não iam porque era demasiado "intelectual"; outras achavam que aquela cultura era demasiado popular; e outros ainda, achavam que deviam ser só para a SCALA e com pessoas da SCALA...

Estavam todos errados. Embora soubéssemos (eu e o Fernando, falámos várias vezes sobre o assunto...) que a cultura era uma coisa de minorias, queríamos chegar ao maior número de pessoas, sem qualquer tipo de prurido social ou cultural.

E foi muito bom, enquanto durou... Como tudo na vida, teve o seu tempo. Mas foi uma boa "pedrada no charco" na cultura de Almada.

Nota: texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal".

(Fotografia de Gena de Souza - Almada)

terça-feira, junho 30, 2020

É No Mínimo Absurdo e Pouco Ético


O "Covid 19" pode servir para muitas desculpas, mas não para que não seja confirmada a realização da Assembleia Geral da SCALA, num espaço municipal.

No dia 11 de Junho recebemos o seguinte e-mail:

Caros associados,

em devido tempo foi solicitada a sala Pablo Neruda, para o dia 26 de junho, no Forum Romeu Correia, para realizar a Assembleia Geral, sendo que ainda aguardamos a respectiva confirmação.
Isto resulta do pouco espaço disponível na sede da Scala, face ao espaço exigido para a realização deste tipo de reuniões.
Junto enviamos a convocatória.
Com os melhores cumprimentos,

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Francisco Manuel Naia Tonicher

No dia 27 de Junho este:

Caros associados,
a ASSEMBLEIA GERAL para aprovação do relatório de contas de 2019 e do relatório de atividades para 2020 realizou-se na sala Pablo Neruda do forum Romeu Correia, 26.junho.2020, de acordo com a convocatória feita.
A reunião decorreu a contento de todos os presentes, tendo os documentos sido aprovados por unanimidade. O local de realização da A.G. prende-se com o covid e o distanciamento necessário para este género de reuniões, pois tal não foi possível na sede da Scala.
Com os melhores cumprimentos,
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Francisco Naia Tonicher

Embora possa ter sido enviada uma confirmação da realização da Assembleia, que eu não recebi (o que não acredito...),  pensamos que os Associados da SCALA mereciam mais respeito dos seus dirigentes, especialmente do seu presidente da Mesa da Assembleia Geral. Todos deviam ter vista confirmada a data da Assembleia Geral e a sua localização, até por estarmos a viver um período estranho nas nossas vidas, que exige mais cuidados e segurança em lugares fechados.

O Associativismo é outra coisa, com toda a certeza. 

(Texto de Luís Milheiro e fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, maio 25, 2020

Fernando Barão (1924-2020)


Deixou-nos hoje, a meio da manhã, Fernando Barão, um dos nossos sócios fundadores e uma das grandes figuras da Cultura e do Movimento Associativo Almadense do século XX.

A inteligência, a bonomia e o amor pelas coisas da Cultura, fizeram com que Fernando Barão fosse  o fundador da SCALA com maior influência no crescimento e na boa imagem que a nossa Associação foi deixando, nos lugares onde nos abriram portas e nos deixaram fazer Cultura. 

O seu traço dominante sempre foi a extraordinária capacidade de interagir com os outros, fazendo com que na actualidade, Fernando Barão continuasse a ser uma das figuras mais acarinhadas e respeitadas do Concelho de Almada.

Sabemos que a sua sabedoria e a sua alegria irão permanecer entre nós,  através dos livros que nos deixou, mas sobretudo na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer e conviver com o Fernando Barão.

(Fotografia de Luís Eme - Fernando Barão no Café Dragão Vermelho de Almada, durante uma das muitas "Tertúlias da SCALA no Dragão", do qual foi o ideólogo e o principal animador nos primeiros anos)

domingo, maio 17, 2020

Parabéns Ginásio pelo Primeiro Centenário


Se há Colectividade no Concelho de Almada a quem a SCALA muito deve, é ao Ginásio Clube do Sul.

Quando precisávamos de um espaço para nos reunirmos e encontrarmos, cederam-nos, graciosamente, uma sala do Centro Comercial M. Bica, que funcionou com sede durante mais de uma década.

Também desenvolvemos várias parcerias culturais, promovendo exposições artísticas (pintura e fotografia) no hall do Pavilhão Polidesportivo e realizando o "Prémio Henrique Mota", um concurso literário de homenagem ao nosso sócio fundador, Henrique Mota, uma das grandes figuras da história do Ginásio Clube do Sul.

Ou seja, temos motivos vários para estarmos gratos pela camaradagem  e pela amizade desta colectividade, que a partir de hoje, entra para o clube das "Centenárias de Almada".

Gratos, cantamos, "Parabéns Ginásio!"

quinta-feira, abril 23, 2020

"Henrique Mota, Atleta, Treinador, Dirigente e Escritor Almadense"


Hoje comemora-se o Dia Mundial do Livro.

Por estarmos no ano do centenário de  Henrique Mota, um dos nossos sócios fundadores e o primeiro presidente da Mesa da Assembleia Geral da SCALA,  publicitamos a obra "Henrique Mota, Atleta, Dirigente e Escritor Almadense", coordenada por Luís Alves Milheiro e que fez o seu esboço biográfico. 

Além da biografia são também publicados os contos premiados do "Prémio Literário Henrique Mota", organizado pela SCALA e pelo Ginásio Clube do Sul.

A obra foi publicada na comemoração do 90.º aniversário do Henrique Mota (em 2010).

sábado, março 21, 2020

Este Estranho Dia da Poesia...


Se há coisa que o "Covid 19" consegue, é quase ignorar a comemoração de datas (inclusive a de aniversários...). 

Claro que todos aqueles que gostam de poesia, de uma forma ou de outra, vão festejar este dia, a ler, a escrever, a declamar, a ouvir... 

Nós vamos festejar este dia por aqui, com um pouco de história, recordando a "1.ª Festa da Poesia de Almada", que se realizou na noite de 21 de Março de 2011, no Salão de Festas da Incrível.

Procurámos que esta festa fosse o mais abrangente possível, foi por isso que além da SCALA e da Incrível Almadense, chamámos ao nosso momento festivo O Farol, o Debaixo do Bulcão e os Poetas Almadenses. Como costuma acontecer nestas coisas, o apoio dado à iniciativa foi desigual, mas mesmo assim, o Salão de Festas (que é realmente grande para um evento desta natureza...) foi transformado em "café-concerto", com um pequeno palco, aberto a todos aqueles que quisessem dizer poesia- Houve também um momento teatral, evocativo dos nossos maiores poetas, interpretado pelo Cénico Incrível.

E felizmente, correu muito bem. Poesia e alegria não faltaram. Até vieram Poetas da Capital para festejar este dia connosco, em Almada.

O cartaz contou com o "empréstimo" de uma bela imagem do grande pintor almadense, Albino Moura, que já não está entre nós, também ele poeta das palavras (além das imagens, claro).

quinta-feira, março 05, 2020

O Dia de Aniversário da SCALA


Hoje é a data oficial da fundação da SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada, criada no ano de 1994, por 15 homens ligados à cultura e ao associativismo Almadense.

Uma boa parte deles foram (e são) bons amigos, aprendi muito com eles, sobre a história de Almada, mas também sobre a natureza humana. E não esqueço que foram eles que me abriram as portas do Associativismo, que era uma marca única da nossa Terra.

Dos que já partiram, não esqueço o Arménio Reis, o Henrique Mota e o Victor Aparício. Dos que ainda cá estão, é bom ainda puder trocar dois dedos de conversa com o Fernando Barão, o Diamantino Lourenço e o Abrantes Raposo.

Apesar da SCALA de hoje já não ser a Sociedade que fundaram, têm todos motivos de sobra para estarem orgulhosos, pelo muito que fizeram pela Cultura Almadense.

(Desenho da autoria de Any Ana, outra grande Amiga que conheci graças à SCALA e que já não está entre nós...)

Nota: Texto publicado inicialmente no blogue "Casario do Ginjal" e transcrito para o blogue Scalano.

sábado, fevereiro 29, 2020

O "Espectáculo" Superou as Artes na sua Festa...


Nunca se realizaram tantas actividades complementares (musicais)  na "Festa das Artes da SCALA", como em 2020.

Curiosamente, esta "fartura" não foi aplaudida, especialmente por uma boa parte dos participantes na "Festa".

Vários artistas deram mostras do seu descontentamento, especialmente no dia da inauguração da exposição, onde quase não puderam visualizar os quadros em exposição, porque os discursos e a música popular foram mais importantes que o habitual convívio entre artistas, assim como o seu olhar crítico sobre as obras expostas.

E também não deixa de ser estranho, que durante uma exposição artística, se tenham realizado seis eventos na Oficina de Cultura, e que nenhum deles versasse sobre Arte...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, janeiro 31, 2020

O Começo do Fim?


O dia 31 de Janeiro, bem pode ser o começo do fim de qualquer coisa... Pois é o começo do ano no fim do primeiro mês.

Talvez seja esse o retrato mais aproximado da SCALA na actualidade, que cheira cada vez mais a "mofo".

Mas as pessoas fingem não perceber que já passou o seu tempo, que já pouco ou nada têm para acrescentar, para dar aos outros (se alguma vez tiveram)...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, dezembro 31, 2019

Dirigentes da SCALA com Pouca Memória...


O último dia do ano, normalmente é usado para se fazerem balanços. Neste caso em particular - um blogue associado, apenas historicamente, a uma Associação almadense -, não há qualquer espaço para se fazerem balanços, por caminharmos distantes de um dia-a-dia, que nos parece demasiado pobre, pelo menos para os pergaminhos da SCALA e para os objectivos (e ambições...) com que foi fundada. 

Mas há aspectos, que pela sua importância e pertinência, não podem ser ignorados, especialmente no ano em que se comemoraram os primeiros vinte e cinco anos da existência da SCALA. 

O principal foi a inexistência de qualquer homenagem aos seus 15 fundadores (embora não tenhamos contacto com alguns deles, pensamos que ainda se encontram vivos oito...), especialmente aos que sempre se mantiveram activos na defesa dos valores culturais de Almada, através da SCALA.

Outro não menos importante, foi o "esquecimento" dos seus sócios que têm a mesma idade da SCALA. No meio associativo almadense, qualquer associação que se preze, homenageia os seus associados mais antigos com diplomas de 25 ou de 50 anos. Mas os actuais dirigentes da SCALA, pura e simplesmente, ignoraram a passagem desta efeméride, para aplaudirem e brindarem os associados que se mantêm fiéis à Associação, com o reconhecimento devido.

(Fotografia de Álvaro Costa)

quarta-feira, novembro 06, 2019

A Sophia e as (Boas) Poetisas da SCALA


A Sophia fez hoje cem anos. Como todos sabemos, é uma extraordinária poetisa e contista infantil.

Esta comemoração fez com que pensasse nos poetas "umbiguistas", que só dizem os seus poemas (tirando uma ou outra excepção, normalmente poemas grandes e bons, para o espectáculo) e também nos amantes da boa poesia, neste caso particular, duas amantes.

De entre os imensos poetas e poetisas que passaram (e passam...) pela SCALA e com quem eu convivi, há duas mulheres que merecem um realce especial, pela sua generosidade e companheirismo (que também se reflectia nas sessões de poesia...). Embora escrevessem poemas, adoravam também os bons poetas e escolhiam sempre um ou outro poema, que lhes dizia muito, para o divulgarem junto dos outros, assim como o autor ou autora.

Por isso hoje é o dia da Sophia, mas também da Idalina e da Clara (que bom ela ainda estar connosco e nos deliciar com a sua poesia...).

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, agosto 04, 2019

SCALA - Uma Vida Cheia de "Sedes Provisórias"...


Ao longo dos seus 25 anos de vida a SCALA teve vários espaços que funcionaram como "Sede Social". 
A primeira de todas - era uma necessidade legal após a fundação - foi a Oficina de Encadernador de Abrantes Raposo (aparecem ambos na primeira foto...), na Rua Emília Pomar, no 3 FF, em Cacilhas. Era sobretudo "a caixa do correio" da SCALA, pois não tinha condições para se realizarem reuniões ou encontros de mais de duas ou três pessoas. Depois adquirimos um Apartado e a "nossa sede provisória" foi perdendo importância.
Espaço de reuniões e de convívio foi uma das lojas do M. Bica, propriedade do Ginásio Clube do Sul, que a cedeu graciosamente durante mais de uma década à nossa Associação, onde fazíamos o trabalho cultural possível.
Os cafés também foram durante bastante tempo local de reuniões e troca de opiniões sobre o dia-a-dia da SCALA (houve dois que tiveram primazia, o nosso "Repuxo" (Cacilhas) e o café do primeiro andar do Centro Comercial Sommer (Praça S. João Baptista). Fizemos inclusive reuniões de direcção nestes dois espaços...
Depois utilizámos a loja "Doces da Mimi", graças à boa vontade da proprietária. Além de reuniões fizemos um pouco de tudo neste espaço: recitais de poesia, colóquios, lançamentos de livros, exposições, etc.
Com o seu fecho ficámos sem  a nossa primeira "casa da cultura"...
Pelo meio O Município tinha-nos cedido um espaço (apartamento na Avenida 25 de Abril para partilhar com os Lions do Tejo de Almada), que nunca podemos utilizar. Ainda hoje não percebemos quais foram as verdadeiras intenções da nossa Autarquia a ceder-nos um espaço, pouco prático e com tantos problemas...


Com a instalação da USALMA na antiga sede da Cooperativa Almadense, a Delegação Escolar (ao lado da Escola Conde Ferreira...) iria ficar livre, pelo que encetámos logo contactos com os vereadores responsáveis (Maria do Carmo e António Matos), para saber da viabilidade da cedência do Espaço. Foi-nos dito por ambos que esta já estava destinado a alguém... Felizmente que o presidente da Câmara, Joaquim Judas, mostrou interesse em todo este processo e conseguiu reverter a situação, a nosso favor, e a Delegação Escolar foi cedida à SCALA e funciona desde o Verão de 2016 como nossa Sede Social e Casa da Cultura, onde temos feito um pouco de tudo, em prole da Cultura Almadense e também dos Associados e Amigos da SCALA.

(Fotografias de Luís Eme)

quarta-feira, julho 03, 2019

A Dinamização das Actividades da SCALA


«Quando há três anos quinze amigos, activos no meio cultural almadense, resolveram após alguma maturação fundar a SCALA, sabiam de antemão que o trajecto não iria ser fácil para a sua sedimentação.
Num país cuja desculturização é por demais evidente, fundar uma sociedade cultural eclética, seria no mínimo aberrante.
Tivemos a sorte -- sem a pretensiosidade de sermos nós a modificar o actual estado de coisas -- de aglutinar a aderência de sete dezenas de companheiros e companheiras, que seguiam o mesmo rumo. São pintores, escritores, jornalistas, dirigentes desportivos, musicos, professores, etc.
Seria um erro o não aproveitamento deste potencial de agentes culturais,  assim, resolvemos reflectir e programar o próximo passo para o desenvolvimento da nossa associação.
Metaforicamente, plantámos há três anos a nossa árvore da cultura. Com as suas raizes em pleno desenvolvimento, a árvore tem os seguintes sete ramos: Actividades Literárias; Artes plásticas; Arqueologia-Ciência-Ecologia; Desporto; Fotografia; Música; Cinema-Teatro.  
Para que os ramos possam dar frutos será necessário que parte dos nossos associados se conjuguem no sentido da formação de núcleos ou comissões -- o nome não é o mais importante -- Conforme o gosto de cada um ou a relação com a sua actividade cultural.
Eis de uma forma sucinta, como pequenos núcleos de três associados, agregados com um membro dos Corpos Gerentes, poderiam desenvolver a sua actividade:
Actividades Literárias; o núcleo poderá incentivar narrativas inéditas sobre o concelho de Almada e reedição de obras sobre o tema, esgotadas ou olvidadas. Criaria prémios literários.
Artes Plásticas; trataria da angariação de espaços para exposições individuais e colectivas, assim como encontros sobre este vasto tema.
Arqueologia-Ciência-Ecologia; eis um sector aliciante. Trata de temas do passado longínquo e  a Ciência, que faz a ponte com o tema actual, que é a degradação do meio ambiente.
Desporto; a comissão está em fase de formação para levantar a discussão sobre a problemática do desporto em geral, o desporto que queremos para o século XXI, o deficiente e a sua relativa recuperação através do desporto, o desporto escolar e o desporto na 3ª fase da vida.
Fotografia; este grupo já está a trabalhar no terreno. Sob o dinamismo de José Luís Guimarães, criou-se um regulamento para um concurso de fotografia ao nível de todas as freguesias de Almada. Subsidiado pela Edilidade vai o concurso fotográfico ter início este ano na região de Cacilhas, sob a égide da sua Junta de Freguesia de da SCALA. Ano após ano estender-se-á às outras freguesias.
Música; a médio prazo devemos criar um pequeno núcleo de trabalho, de forma a promover concertos de música ligeira e clássica.
Cinema-Teatro; seria excelente a criação de um pequeno agrupamento teatral entre os sócios. Ensaiavam-se pequenas peças ou “sketches” e durante as suas exibições para familiares, consócios e amigos organizar-se-iam colóquios ou palestras sobre teatro em geral.
No que ao Cinema diz respeito, se a Vereação isso nos facultar, existe a intenção de levarmos a cabo em 1998, ciclos de cinema de actores e realizadores. Oxalá o Auditório Municipal esteja para isso, equipado.
Há um acentuado óbice para levar a cabo toda esta dinâmica cultural. A falta de uma sede social. Temos uma pequena sala, junto ao bingo, no Centro Comercial M. Bica, gentilmente cedida pela direcção do Ginásio Clube do Sul, sendo óbvio que não podemos ficar indefinidamente ali.
Com criatividade e trabalho, vamos fazer pairar a esperança que os autarcas possam reparar em nós, como o têm feito relativamente às nossas congéneres.»

                                                                                               DIAMANTINO LOURENÇO

Nota: Este texto assinado por Diamantino Lourenço (na foto) foi publicado no boletim "O Scala" (número dois, Inverno de 1997) e é revelador da necessidade que se sentia, de se criarem secções para que a SCALA se pudesse desenvolver de uma forma equilibrada e com futuro.
Embora tenham sido criadas secções em 1998, estas nunca funcionaram como deveria ser, pois eram "sempre os mesmos" a desenvolver as actividades da Associação. Ou seja, nunca se conseguiram cativar os sócios para terem uma participação mais activa no dia-a-dia da SCALA e foram "esquecidas" (ainda hoje é assim, 25 anos depois da fundação e apesar de já se possuírem condições logísticas - sede social - para o seu funcionamento... Aliás, esse continua a ser um dos problemas do movimento associativo, falta de gente com "vontade de fazer e partilhar coisas"...).

(Fotografia de Luís Bayó Veiga)

segunda-feira, junho 10, 2019

As Quadras Sãojoaninas em Almada


Uma das "bandeiras" que podemos erguer neste ano de 2019, em que comemoramos o nosso 25.º aniversário, é a co-organização Município de Almada, do “Concurso de Quadras Populares de Almada” ao nosso S. João Baptista, Santo Padroeiro da nossa Cidade.

Pouco tempo depois do nosso aparecimento nos meios locais, sugerimos esta realização à Autarquia Almadense. Felizmente ela aceitou o nosso desafio e nestes nossos mais de 25 anos de vida, além das dezenas de premiados, temos de aplaudir as dezenas de milhares de participantes, que tanto nos têm honrado com a sua inspiração poética, dentro e fora do Concelho de Almada.

Além do apoio do Município, não podemos deixar de agradecer o trabalho profícuo realizado pelos elementos do júri da SCALA (escolher três quadras entre mil – até já aconteceu serem mais…- é obra), ao longo destas duas décadas e meia (o júri é composto por dois elementos escolhidos pela SCALA e um pelo Município). 

Eis os nomes dos elementos da SCALA que fizeram parte do júri nestes últimos 25 anos: Abrantes Raposo, Artur Vaz, Diamantino Lourenço, Fernando Barão, José Luís Tavares, Luís Alves, Luís Milheiro, Maria Ermelinda Toscano, Maria Gertrudes Novais e Nogueira Pardal.

domingo, maio 19, 2019

19 de Maio: Um Dia com Memória


Hoje é o dia certo para fazermos a comparação entre a SCALA de 1994 e a SCALA de 2019.

Em 1994 a SCALA era sobretudo esperança. O sonho de se fundar uma Associação Cultural em Almada tornara-se uma realidade - a primeira que se propunha apoiar e fazer crescer a Cultura, sem que esta fosse uma "correia de transmissão do Poder Local" (ouvi muitas vezes esta expressão nos seus primeiros anos...).
Durante os primeiros anos a SCALA cresceu de tal forma, que chegou até a assustar alguns dos seus fundadores, que estavam longe de imaginar todo aquele "fervilhar" de ideias, que circulava nas mesas de café e queriam deixar de ser "utopias" (especialmente no histórico "Repuxo")...
Claro que toda esta energia inicial foi perdendo algum fulgor, naturalmente (não podemos esquecer que a SCALA era, e é, uma pequena colectividade. Com um universo que ultrapassa ligeiramente a centena de associados...). Algumas pessoas ao não conseguirem impor os seus pontos de vista foram-se afastando, outras por não se reverem no seu espírito colectivo...
Felizmente, sobrou um "núcleo duro", que se manteve unido e coeso, durante quase duas décadas. A maior parte, devido à idade avançada (mais de 80 anos...) foram cedendo os seus lugares. Embora não existam pessoas insubstituíveis, o certo é que nunca mais se conseguiu o equilíbrio necessário. As ideias começaram a escassear, assim como as pessoas (pelo menos as com qualidade cultural e espírito associativo...).
Ainda pensámos que a cedência de um espaço como sede, iria provocar o renascimento da SCALA, como verdadeira associação cultural. O que aconteceria no final da Primavera de 2016, quando o Município de Almada nos cedeu a "Delegação Escolar", onde tinha funcionado nos últimos anos a secretaria da USALMA e a sede APCA.
Mas infelizmente a instalação na sede acabou foi por promover uma divisão na direcção, que nunca foi sanada. Percebia-se que a vaidade pessoal começava a querer impor-se, através da sua presidente de direcção. Primeiro de uma forma tímida, por falta de capacidade e também de notória limitação cultural.
Curiosamente foi esta "limitação" que fez com que as ideias de mudança e melhoria começassem a não ser bem acolhidas (não foi por acaso que as duas últimas vice-presidentes culturais pediram a demissão, em menos de um ano...). 
Foram-se perdendo as referências, a SCALA deixou de ter memória, foi se esquecendo do seu passado e inevitavelmente deixou de ter um presente e um futuro, condizente com a ideia inicial dos fundadores: ser a tal Associação Cultural, fundada para fazer a diferença, para apoiar sobretudo todos aqueles que faziam cultura fora dos circuitos do poder.
O interesse individual começou a ameaçar o colectivo, a vaidade pessoal foi crescendo e a vergonha foi-se perdendo... O "eu" passou a ser quem mais ordena, substituindo o "nós".

É por tudo isto, que o dia 19 de Maio, deve ser um dia com memória. Um dia perfeito para compararmos a SCALA de 1994 e a de 2019.

(Óleo de René Magritte)

sexta-feira, abril 05, 2019

O Plano de Intenções da SCALA


Felizmente - ao contrário do que acontece com os programas políticos -, muitas das iniciativas que fazem parte do Plano de Intenções da SCALA, tornaram-se realidade.


Outras ficaram na gaveta, porque não tivemos o apoio de "segundos" e "terceiros" (a falta de um espaço próprio durante anos foi muito limitativa)...

terça-feira, março 05, 2019

Aconteceu há 25 Anos, o Primeiro Dia da Nossa Vida (oficialmente claro)...


A SCALA foi fundada há exactamente 25 anos.

Foi o dia 5 de Março de 1994, que ficou registado como o primeiro dia da vida da SCALA, Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada.

Parabéns aos 15 fundadores e a todos os que ao longo deste 25 anos, ajudaram a SCALA a crescer e a ser uma Associação Cultural inclusiva e extensiva, no Concelho de Almada.

(Fotografia tirada ao grupo de fundadores, por alguém que passou na Praça S. João Baptista a pedido -, após a legalização da SCALA na Conservatória)

Nota: Há ainda uma história sobre esta fotografia que merece ser contada e que demonstra a bonomia de Arménio Reis. Quando Álvaro Costa emprestou a fotografia ao anónimo que passava, este disse que a máquina não tinha rolo e que era uma brincadeira para os apanhados...